Vargas Llosa e sua distorção convulsiva da realidade

Os romances marcam parte importante da trajetória do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Através dos enredos destas ficções o literato atuava na sociedade peruana, manifestando suas concepções sobre os grandes problemas de sua nação.

Pensando sobre o processo de escrita desses romances, após longos estudos para minha pesquisa de mestrado, conclui que é possível nomeá-lo com a terminologia “distorção convulsiva da realidade” da qual Vargas Llosa fala.

A “distorção” está relacionada com a ficção, pois a “mentira” aparece, mas sempre baseada na vivência do peruano, muito próximo da realidade, tornando-se, então, uma manifestação da vida.

Já a palavra “convulsiva” é usada porque se torna uma espécie de apocalipse, uma violenta agitação dentro de um conjunto de elementos reais (àqueles que podemos encontrar em nosso cotidiano), mas de forma que os enriqueça, ainda que venha a deformá-los. Por exemplo, contanto uma história fictícia para chamar a atenção dos leitores sobre algum problema social.

Inseridas neste contexto de seu primeiro entendimento estão as obras Los Jefes (1959), La ciudad e los perros (1962), La Casa Verde (1965), Los Cachorros (1967) e Conversación en la Catedral (1969). São textos denominados por vários críticos literários de “novela total”.

Isto porque apresentam panoramas de momentos conturbados e crises da realidade de seu país. Assim, as tramas deveriam tentar açambarcar praticamente todos os elementos da realidade, representando-os da forma mais total possível, diferentemente da sua visão a partir de 1970.

Embora possamos demarcar duas concepções, o escritor manteve ao longo de sua carreira a postura de engajamento. A tese central permaneceu a mesma, isto é, seus romances deveriam contribuir de alguma forma para alertar seus leitores sobre os problemas da realidade.

Ou seja, suas obras continuaram como um espaço para se engajar e exercer a intelectualidade que teria mudanças em relação ao seu fazer, mas que continuaria revelando o comprometimento e a responsabilidade do literato com seu tempo.

Publicado por

Mateus Sacoman

29 anos, professor universitário e historiador. Apaixonado por futebol, comida, viajar e rock 'and' roll.

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