Nossos Próprios Exploradores: Por Que a Sociedade do Cansaço Nos Leva ao Colapso?

Se a informação não é neutra e modifica a nossa forma de ser no mundo, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han é quem melhor decodificou as engrenagens invisíveis do nosso esgotamento contemporâneo. Em uma era dominada por notificações, rolagens infinitas e um culto ininterrupto ao desempenho, suas ideias lançam uma luz incisiva sobre as armadilhas que nós mesmos ajudamos a construir no cotidiano digital.

Diferente de épocas em que a coerção vinha de regras impostas por forças externas, a era atual opera sob a lógica do “eu posso”. Tornamo-nos empreendedores de nós mesmos, impulsionados por uma busca incessante por produtividade, crescimento e metas acumuladas. O grande paradoxo dessa sociedade do cansaço é que a própria ideia de liberdade se converte em coerção: a exploração mais severa já não vem de fora, mas de dentro. Tornamo-nos nossos próprios exploradores, exigindo entregas e resultados até o limite do colapso.

Essa cobrança interna por performance encontra o terreno perfeito na sociedade da transparência. Transformamo-nos em vitrines contínuas de nós mesmos, submetendo nossa rotina a uma vigilância digital voluntária em troca de curtidas e métricas de atenção. Acreditamos que a exposição total é uma expressão de autenticidade, quando, na prática, quanto mais visíveis e expostos nos tornamos, mais perdemos a nossa verdadeira liberdade.

O resultado dessa combinação entre hiperatividade e superexposição é a perda drástica da nossa capacidade de contemplação. Capturados pela distração permanente e pelo algoritmo da rolagem infinita, eliminamos de vez o tédio profundo — justamente o estado de pausa e silêncio que sempre foi a matéria-prima essencial para a criatividade e a reflexão genuína. Sem o espaço do respiro e da observação atenta, resta apenas a fadiga de um presente hiperconectado que consome nossa energia enquanto nos priva da nossa própria presença.

Quando as certezas caem: o convite de Nietzsche para inventarmos a nós mesmos

Friedrich Nietzsche é o tipo de pensador que não oferece consolos fáceis nem respostas prontas. Em vez de entregar um mapa moral para seguirmos de olhos fechados, ele nos dá um martelo para testar a solidez de tudo aquilo em que acreditamos. Longe de buscar a destruição pelo puro prazer do caos, a provocação nietzschiana serve como um despertador para espíritos livres, convidando cada indivíduo a sair da passividade e encarar a construção da própria vida como uma obra de arte.

Sua célebre declaração de que “Deus está morto” costuma ser mal interpretada como uma simples provocação religiosa, mas o sentido é muito mais amplo. Nietzsche apontava para o colapso das certezas absolutas, da metafísica e das verdades eternas que sustentaram a cultura ocidental por séculos. A perda dessas antigas bússolas nos lança diretamente no niilismo, aquele sentimento incômodo de vazio e ausência de uma finalidade pré-determinada. Contudo, em vez de fugir desse abismo em direção a novas ilusões ou cair no desespero, o filósofo nos desafia a encarar o silêncio do mundo e entender que a falta de um sentido pronto é a condição perfeita para criarmos o nosso próprio.

Para encarar essa tarefa, entra em cena o conceito de Vontade de Poder, que nada tem a ver com o desejo mesquinho de dominar ou tiranizar os outros. Trata-se do impulso vital e criativo que pulsa em tudo o que vive, a força que nos move a crescer, transformar a realidade e superar nossas próprias limitações. A Vontade de Poder é a coragem de dizer um “sim” irrestrito à existência em toda a sua intensidade, assumindo as dores e as alegrias como combustível para a evolução pessoal.

É dessa dinâmica de constante auto-superação que brota o ideal do Übermensch, o indivíduo que recusa a acomodação e a moral do rebanho para se tornar senhor de suas escolhas. Sem esperar recompensas externas e indo além das definições tradicionais de bem e mal, essa figura representa a capacidade humana de se redefinir continuamente. A evolução, para Nietzsche, não é uma obra do acaso, mas uma escolha consciente de quem decide não apenas existir, mas criar a si mesmo.

Uma forma impactante e muito sensível de ver esses conceitos ganhando vida no cotidiano é assistir ao premiado curta-metragem brasileiro Meu Amigo Nietzsche, disponível gratuitamente no YouTube. A narrativa mostra como o encontro de um garoto da periferia com a obra do filósofo transforma inteiramente sua percepção do mundo ao seu redor. A história ilustra perfeitamente a máxima nietzschiana de que não há fatos, apenas interpretações, lembrando que a filosofia ganha seu verdadeiro valor quando nos provoca a questionar o entorno e a escrever nossas próprias respostas.

Anjo Mau, de Milton Tiutiunic (Editora Autografia)

Os antecedentes, o desenvolvimento e as consequências da Segunda Guerra Mundial para o planeta despertam nossa atenção até os dias atuais e são constantemente evocados como pano de fundo para muitas obras literárias.

Conectando-se a esse contexto é que nasceu “Anjo Mau”, livro do escritor Milton Tiutiunic que une ficção a acontecimentos de nossa realidade.

Aos poucos, a trama do livro faz um mergulho pela história e revela-nos o personagem Hérvires e o povo do Campo de Marte, além de Arif, traçando um caminho que levará até a ascensão do líder nazista Adolf Hitler, destacando o contato deste com o papiro de Hérvires, contendo segredos e imensa sabedoria que poderiam mudar os rumos da humanidade.

Porém, agora, ele seria usado para o mal, na tentativa de impor a todo custo seu modo de pensar a sua população que aguarda ansiosamente por transformações e, mesmo derrotado, ainda encontra uma forma de disseminar seus conceitos a um mundo que necessariamente precisa se reestruturar.

De leitura tranquila, o enredo une mistério, aventura, surpresa e elementos do mundo real, além de ficção científica, que prendem a atenção do leitor para um final a se conceber.

Lançado pela Editora Autografia, o livro pode ser adquirido de maneira oficial através do site https://www.autografia.com.br/produto/anjo-mau/ por R$31,90.

Docente da UniFAI lança segundo livro sobre escritor peruano Mario Vargas Llosa

O professor dos cursos de História e Pedagogia do Centro Universitário de Adamantina (UniFAI), Mateus Barroso Sacoman, lançou para venda, no último dia 15, um livro de atualização da pesquisa de mestrado sobre o escritor e intelectual peruano Mario Vargas Llosa. A primeira edição havia sido publicada em 2016.

Disponível no site da Editora Alexa Cultural (www.alexaloja.com) e nas grandes livrarias do país, a obra “As transfigurações da sociedade peruana e a distorção convulsiva de Mario Vargas Llosa: uma análise das décadas de 1950 e 1960” pode ser adquirida no formato impresso ou digital.

Segunda obra publicada por Mateus Sacoman sobre escritor peruano possui informações atualizadas e mais completas em relação à anterior

Conforme detalha o autor, o livro analisa os primeiros romances de Llosa e a conexão que estabelecem com o contexto das décadas de 1950 e 1960 no Peru.

“Especialmente, verificando os impactos culturais, sociais e econômicos com a chegada de um grande número de migrantes da região da serra para costa, principalmente na cidade de Lima. O livro aborda, ainda, uma análise mais aprofundada em relação a uma possível reconfiguração ou transformação do conceito e da forma de se entender quem são os criollos e sua cultura naquele contexto”, explica.

O professor comenta sobre as vantagens do segundo livro a respeito de Llosa: “Esta obra traz informações atualizadas e mais completas em relação à anterior. Além disso, é muito mais acessível ao público brasileiro, principalmente quanto ao preço”.

A obra também é abrilhantada com o prefácio do Prof. Dr. Marcos Sorrilha Pinheiro, do Departamento de História da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), grande amigo e orientador da pesquisa de mestrado do autor.

De acordo com Sacoman, no segundo semestre há previsão de projeto para a publicação de um livro, provavelmente pela mesma editora, com textos sobre História, conectados às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “O objetivo é auxiliar os professores da Educação Básica em seu trabalho na sala de aula”, finaliza.

por Priscila Caldeira – UniFAI

Projeto: Cartografia Tátil – Pedagogia UNIFAI

Desde 2019, o Projeto Cartografia Tátil vem envolvendo os cursos de Pedagogia, História e Ciências Biológicas da Unifai de Adamantina-SP, além de escolas da rede pública e privada, com a intenção de produzir mapas táteis que possam ser utilizados em sala de aula por alunos com baixa visão ou privados da totalidade da visão. O projeto constitui-se uma forma de exercer a cidadania, contribuindo para uma educação mais inclusiva.

Made with Padlet

Exposição virtual de História – Mulheres: entre conquistas e abusos

Esta exposição virtual engloba trabalhos dos alunos do 6º 1 do Colégio Adamantinense Objetivo, apresentando as conquistas históricas obtidas pelas mulheres ao longo do tempo, porém, revelando o quanto ainda precisa ser alcançado, apresentando-nos uma série de dificuldades e crimes que ainda são cometidos cotidianamente contra as mulheres e, infelizmente, muitas das vezes, passam desapercebidos.

Made with Padlet

Alguns trabalhos podem apresentar inconsistências e pequenos erros. Porém, a ideia é incentivar os alunos à experimentação de novas ferramentas, vivenciar novas experiências, oportunizando a autonomia, desenvolvendo o papel de agentes dentro do processo de aprendizagem, possibilitando, por fim, o exercício da cidadania. (justamente por isso, nenhuma alteração foi desenvolvida).

Podcast: História – unidades temáticas e objetos de conhecimento e habilidades do 1° ano do Ensino Fundamental I

hleducação

Novo podcast da série História e Literatura + Educação saindo do forno, quentinho!!! Vamos iniciar a análise das unidades temáticas da BNCC e seus respectivos objetos de conhecimento e habilidades referentes ao 1° ano do Ensino Fundamental I, (páginas 406 e 407 da BNCC).

TRILHA SONORA: Circus Maximus

PODCAST GRAVADO DURANTE AS AULAS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIFAI, ADAMANTINA-SP.

Podcast: História – Anos iniciais: Unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades

hleducaçãoNo podcast desta semana, seguimos com a série História e Literatura + Educação. Agora, vamos abordar as unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades de História para os anos iniciais do Ensino Fundamental (páginas 403 a 405 da BNCC). Além de comentar um pouquinho mais sobre o conhecimento de si e do outro, com uma pequena introdução sobre os assuntos trabalhados do 1° ao 5° ano.

Trilha sonora: Of Allies https://open.spotify.com/artist/5fYc93nNjMlAsoaXen9elQ?si=w_7QNcBMShCux5Z6Vw0Lgw
Podcast gravado durante as aulas dO curso de Pedagogia da Unifai, Adamantina-SP.

Podcast: Competências específicas de História para o Ensino Fundamental (BNCC)

hleducaçãoEm meio à pandemia atual, o site História e Literatura tomou a iniciativa de lançar a série “História e Literatura + Educação” disponibilizando podcasts, vídeos e textos relacionados à História, Educação e Literatura como ferramenta para auxiliar professores e estudantes nessa nova fase para a educação.

Nosso primeiro podcast é uma análise sobre as Competências específicas de História para o Ensino Fundamental abordadas na BNCC.

competências especificas bnccPodcast gravado durante as aulas do curso de Pedagogia da Unifai, Adamantina-SP.

Saint-Domingue e a esperança desvanecida

“Esperança aos marginalizados”! Assim, muitos historiadores relataram o processo de abolição da escravidão e independência do Haiti, comumente conhecido como Revolta de São Domingo ou Revolução Haitiana entre os anos de 1791 a 1804.

Em termos teóricos, para muitos pesquisadores, é um grande exemplo do que de fato o conceito de revolução significa em seu sentido mais puro: algo abrupto e intenso que leva a uma mudança em larga escala em áreas como a política, sociedade e economia.

Em termos práticos, o atroz movimento na colônia francesa de Saint-Domingue precisa ser analisado de forma mais aprofundada, principalmente em razão daqueles que defendem uma linha de continuidade às brutais estruturas sociais que vigoravam sob a governança francesa.

Por muito tempo, a também intitulada Revolução dos Escravos, foi disseminada como um bastião da luta pela liberdade dos povos africanos escravizados na América e, além disso, tida como bem-sucedida por parte da historiografia, instigou ainda processos de independência em toda a América Latina.

Não nos resta dúvida que tamanho evento gerou um sentimento de expectação em populações que sofriam os abusos da exploração colonial, influenciando uma série de pensadores e movimento ao longo do tempo. Pode-se falar o mesmo sob a perspectiva metropolitana, ou seja, o processo revoltoso gerou uma inquietação nas elites governantes de toda a América e temor de que ações semelhantes irrompessem em outras áreas.

No Brasil, a Revolta dos Malês de 1835 na cidade de Salvador, na Bahia, é um exemplo do temor de que os escravos negros de origem islâmica em solo baiano desembocasse em uma conjunta semelhante à haitiana. Embora, exista uma contestação dessa temeridade por determinados historiadores, a repressão não tardou e em menos de um dia as ações foram contidas e as punições foram extremamente severas.

Voltando ao Haiti, o herói da revolução François Toussaint, filho de africano, que havia conseguido sua alforria em 1776 e liderou muitos movimentos militares rumo à abolição da escravidão, após as primeiras etapas do conflito, se autoproclamou em 1801 governador-geral vitalício, precisou negociar com Napoleão a manutenção da abolição, acabando preso e falecendo na prisão.

A independência conquistada em 1804 após muito sangue e destruição conferiu esperança aos grupos marginalizados de outrora. Porém, divisões políticas intensas, as cisões sociais, a transitoriedade entre a rigidez produtiva, distribuição de terra aos desfavorecidos e latifúndios minou esse entusiasmo pouco a pouco.

Os arquétipos do período colonial, muito bem enraizados, foram difíceis de talhar. O poder continuou alijando a massa populacional, mantendo uma elite no comando. As reparações aos escravocratas por terem perdidos suas “propriedades” desfortunou o país e as tentativas de combater o isolamento político e econômico não resultaram em mudanças substanciais.