Folclore brasileiro versus Halloween: uma outra perspectiva

Todo ano a mesma coisa acontece. Quando nos aproximamos do dia 31 de outubro — data em que tradicionalmente os países colonizados ou que sofreram influências culturais dos ingleses comemoram o Halloween — uma enxurrada de educadores, escritores, políticos e profissionais de diversas áreas, vêm a público para manifestar a indignação de se comemorar esta data em nosso território, por distintos motivos.

O assunto é tão sério que é possível encontrar diversos projetos de lei, federais, estaduais, municipais, que se propuseram a oficializar o trigésimo primeiro dia do mês de outubro como o Dia do Saci para combater o monstro estrangeiro que ameaça a cultura brasileira e impede que as crianças conheçam seu próprio folclore.

Em muitas matérias de jornais e sites especializados, é possível depreender dos textos que esse dia foi escolhido para “marcar a resistência” contra o famigerado evento internacional, como se estivéssemos aprisionados, conseguindo empreender uma rápida fuga e agora, em nosso mocambo, há caminho livre para desenvolver as estratégias de ataque e reação.

Outro objetivo, como o de “resgatar” as figuras do folclore brasileiro, também é constantemente apresentado. Ora, sequestraram as efígies nacionais e não avisaram ninguém? O folclore brasileiro sempre esteve aqui, o problema é que muitos de nós legamos a ele o cantinho das salas de aula e o expiamos somente em determinadas ocasiões e olhe lá.

O “Dia do Folclore” já existe desde 1965, espólio da ditadura militar brasileira, mas o grande problema é que ele continua sendo tratado como realmente um dia, algo superficial. Foi preciso intensificar as comemorações do Halloween para que se começasse a perceber que muito da cultura pátria sempre foi esquecida e o culpado não é o ilustre evento, a não ser o próprio brasileiro.

É muito mais fácil incriminar o que vem de fora, do que parar um pequeno momento e analisar as próprias atitudes. Em um mundo globalizado e que a internet dá livre acesso ao conhecimento de milhares de culturas diferentes, seria um crime obstaculizar que as pessoas tomem contato com diferentes manifestações e formas de pensar das que se está acostumado.

A origem do Halloween, embora não haja um consenso entre os historiadores, pode advir de uma celebração celta que marcava o final do período fértil (verão) no hemisfério norte, o chamado Samhain, há pelo menos 600 a.C. na região das atuais França e Inglaterra.

Por ser um período de transição, acreditava-se que o “véu” entre o mundo dos mortos e os vivos era desvelado, e os antepassados retornavam a suas casas para visitar seus familiares, alimentando-se e aquecendo-se do frio, por isso a preparação de alimentos e bebidas.

Com a expansão do cristianismo pela Europa, uma das práticas desenvolvidas para a conquista e perduração na fé dos novos fiéis era assimilar algumas festas pagãs às festividades cristãs.

No ano de 835, a Igreja Católica, através do Papa Gregório III, estabeleceu o dia 1° de novembro como o Dia de Todos os Santos. A data era celebrada inicialmente em maio. No século seguinte, o Papa Gregório IV tornou a celebração universal, auferindo-lhe, assim, uma celebração no dia anterior, a vigília.

Em inglês, temos a denominação de All Hallow’s Eve (Véspera de Todos os Santos), que depois se abreviou como Halloween.

Alguns componentes da festa foram agregados ao longo do tempo. Na Idade Média, provavelmente na França, principalmente no século XIV em que a Peste Negra assolou o continente europeu, as celebrações pelos mortos se popularizaram e no dia dedicado a eles, crianças batiam de porta em porta pedindo um pedaço de bolo em troca de orações pelas almas no outro mundo.

Não há uma concordância entre os historiadores, mas possivelmente na Inglaterra, o costume citado anteriormente tenha evoluído para o “trick or treat”, diretamente relacionado aos conflitos entre católicos e protestantes, em que os segundos se dirigiam fantasiados até às casas dos primeiros, exigindo cervejas e pasteis.

Essa era uma forma debochada de aludir à prisão e morte de Guy Fawkes, católico convertido que foi enforcado por participar do que seria a explosão do parlamento inglês na tentativa de garantir mais liberdade aos católicos na Inglaterra no início do século XVII.

Já no século XIX, nos EUA, outras modificações aconteceram. Por exemplo, a utilização das abóboras com velas. Na antiguidade, os nabos é que sofriam as modificações, sendo esculpidos em formatos de cabeça e ganhavam velas acesas. E foi efetivamente lá que a comemoração alcançou o formato atual e, com o avanço dos anos, passou a ser explorada comercialmente.

Como visto, a comemoração do Halloween é uma reunião de múltiplos componentes gerados em culturas díspares. Temos ali religiões e povos diferentes representados, ao menos abstratamente, algo que possibilita a busca pelo conhecimento de outros valores e práticas, se bem trabalhado.

Precisamos compreender que a cultura, em geral, é dinâmica, está em constante transformação, embora a velocidade dessa mudança possa ser irregular, dependendo da localidade. Ela também pode ser estável, sem dúvidas, mas o Brasil se demonstra um país em que a cultura é muito intercomunicativa e instigada por elementos oriundos dos mais diferentes lugares do mundo. Querer combater as influências externas mediante um contexto em que as nações estão mais próximas a cada segundo é quase inverossímil.

Não precisamos banir o diálogo intercultural para que o folclore nacional possa ser conhecido por todo o território brasileiro. Por que os materiais didáticos escolares não podem trabalhar textos, imagens, problemas matemáticos, entre tantas outras formas, que contenham elementos ou personagens do folclore tupiniquim ligados ao cotidiano dos alunos?

Não se vê muito isso nas escolas, a não ser em conteúdos programados para o mês de agosto ou outubro que acabam se desconectando totalmente de um processo mais significativo de compreensão da cultura do país. E isso pode ser feito, sem tolher a oportunidade de que os estudantes tomem contato também com os hábitos e costumes de outros povos.

Há espaço para a convivência entre o Halloween e os personagens míticos brasileiros, mas é necessário proporcionar muito mais oportunidades para que as crianças conheçam os costumes, histórias e saberes de sua nação. E isso deve ocorrer dentro de uma perspectiva pacificadora e abrangente, exatamente o contrário do que muitos pregam: uma cruzada entre brasilidade e estrangeirismo em que os estudantes parecem ser obrigados a escolher um ao outro.

O Brasil precisa de livros

O atual momento político brasileiro, manchado pela corrupção, está longe de ser um filho do século XXI. Grandes estudiosos como Sérgio Buarque de Holanda, Maria Sylvia de Carvalho Franco, Raymundo Faoro, Kimberly Ann Elliott, Matthew Taylor e Timothy Power, já nos ofereceram subsídios suficientes para compreender que os atos corruptivos nos circundam desde os tempos coloniais. Aliás, corromper é uma lástima que acompanha os seres humanos muito antes dos portugueses desembarcarem em terras tupiniquins.

Diversos intelectuais constantemente apresentam propostas para combater esse mal que inunda boa parte do planeta. Contudo, não são muitos os que afirmam enxergar na literatura a possibilidade de modificar esse quadro político lastimável de forma mais efetiva, principalmente porque age mais no aspecto individual e isso poder variar de pessoa para pessoa.

A mais recente pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, divulgada no primeiro trimestre deste ano, revela que o público leitor brasileiro aumentou em relação ao último estudo realizado em 2011.

Segundo os dados de 2015, 56% dos brasileiros, ou seja, 104,7 milhões são considerados leitores (neste caso, os habitantes que tenham lido ao menos um livro nos últimos três meses). Embora a bíblia e as obras religiosas sejam a preferência nacional, as escolhas posteriores é que chamam a atenção: contos e romances. E neles pode residir a chave para que a literatura venha a contribuir em direção a uma mudança.

Através também das ficções, alimentadas pela realidade que as envolve, é possível que o leitor seja levado a questionar o funcionamento da sua sociedade e as mazelas existentes, passando por uma reflexão aprofundada de sua comunidade e de seu próprio modo de vida.

Muitas vezes, é através das tramas e de suas quimeras que o indivíduo reconhece suas fragilidades e incorreções, conseguindo ponderar que atitudes como essas podem contribuir para a degradação de seu contexto, ainda que de uma forma mínima. Trocando em miúdos, não é possível reclamar da corrupção, se você sempre busca o famoso “jeitinho brasileiro” para escapar de uma repreensão aos olhos da lei.

De fato, o Brasil precisa de livros, literatura e, mais do que isso, precisa de leitores comprometidos em transformar a nossa realidade, tornando-se agentes de um processo de mudança que passa primeiro pelas ações cotidianas dos cidadãos, que, posteriormente, podem resultar em modificações mais agudas para os caminhos políticos de nosso país.

Obviamente, construir uma nação de leitores não levará por si só à diminuição da corrupção no Brasil ou resolver outros grandes problemas, mas uma sociedade leitora é mais questionadora, reflexiva e debatedora.

Na prática, isso pode resultar em uma mudança no perfil dos políticos que serão eleitos desde o âmbito municipal até o federal, inclusive uma transformação nos padrões das aclamadas promessas de campanha que nunca se concretizam, principalmente porque a imensa maioria dos eleitores ainda não cobra e rapidamente se esquece dos compromissos estabelecidos para a conquista de votos.

Nem o Carnaval escapou

O carnaval é, definitivamente, uma das maiores festas populares no Brasil e que apresenta nuances pautadas em regionalismos, religiões, entre tantos outros aspectos culturais. Mas mesmo uma festividade tão grande quanto essa não foi capaz de escapar das garras da ditadura militar no Brasil.

Obviamente, quando se trata de um regime político como esse, o que mais se espera é a falta de liberdade com a intromissão governamental nas diferentes áreas da sociedade, visando combater qualquer tipo de objeções e hostilidades que venham a enfraquecer a imagem e o poder desse modelo administrativo.

Principalmente depois do Ato Institucional Número Cinco, instituído em 1968 no governo do general Costa e Silva, letras de músicas, peças de teatro, novelas, filmes, e até mesmo os sambas enredos de carnaval, obrigatoriamente passavam pela “dissecação” dos censores, para posteriormente serem liberados, quase sempre com ressalvas, ou proibidos de vez.

Geralmente em grandes centros, como é o caso do Rio de Janeiro, desde pequenos blocos de foliões até as gigantescas escolas de samba precisavam apresentar extensos portfólios com explicações minuciosamente detalhadas do que pretendiam apresentar ao público. Até mesmo os ensaios das agremiações chegaram a ser monitorados.

O historiador Luiz Antônio Simas, em seu livro “Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos”, relata que o enredo “Heróis da Liberdade” desenvolvido pelo Império Serrano em 1969 precisou receber alterações na música. A palavra “revolução” foi modificada para “evolução”.

Já no ano de 1974, a Unidos de Vila Isabel, foi obrigada a alterar seu enredo que pretendia enaltecer os índios Carajás e reprovar a ideia de progresso a qualquer custo. O tema chocava com a ideia governamental de avanço, tão caro ao período denominado de “Milagre econômico”. O samba foi criado por Martinho da Vila, mas acabou embargado da disputa para desfilar na avenida.

Dessa forma, a apresentação acabou se transformando em uma exaltação à construção da rodovia Transamazônica, que até hoje permanece incompleta, sem pavimentação em diversos trechos, principalmente no Norte do país. Àquela obra era símbolo da grandiosidade pretendida pelos militares, mas jamais alcançada.

Ainda assim, através das muitas artimanhas e dispositivos que os compositores musicais da época tão bem conceberam, o carnaval resistiu e insurgiu-se contra a ditadura através das metáforas que os agentes militares não conseguiram compreender, mas que o povo cantou:

“Um sorriso sem fúria entre o réu e o juiz; A clemência e a ternura por amor da clausura; A prisão sem tortura, inocência feliz; Ai meu Deus; Falso sonho que eu sonhava” (Sonho de um sonho, Martinho da Vila, 1980).

Como surgiu o “Dia da Fraternidade Universal e da Paz”

Todo início de um novo ano apresenta-se para nós como uma oportunidade de buscar novas realizações ou até mesmo manter tudo o que deu certo na temporada que se passou, mas sempre com a intenção de ampliar novos horizontes. Não por acaso, o primeiro dia de janeiro se tornou o “Dia da Fraternidade Universal e da Paz” para a grande maioria dos países.

Mas nem sempre foi assim. Até a primeira metade do século XX, quando o mundo sofreu duros golpes com as duas grandes guerras mundiais e a capacidade infinita de destruição em massa, além da incapacidade dos seres humanos em resolver seus conflitos e diferenças de uma forma não aterrorizante, essa comemoração não era oficial.

Após esses terríveis episódios, entre tantos outros em séculos passados, no dia oito de dezembro de 1968, no contexto de Guerra Fria e de continuação da descolonização na África e Ásia, o Papa Paulo VI, através de uma mensagem, convocou a humanidade, independente do credo, a comemorar o primeiro de janeiro como o Dia da Paz.

“Dirigimo-nos a todos os homens de boa vontade, para os exortar a celebrar o “Dia da Paz”, em todo o mundo, no primeiro dia do ano civil, 1 de Janeiro de 1968.

Desejaríamos que depois, cada ano, esta celebração se viesse a repetir, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro” (PAULUS PP. VI).

Nem todos os povos e nações comemoram especificamente na mesma data, principalmente porque alguns países não utilizam o calendário gregoriano ou porque têm religiões oficiais diferentes do catolicismo romano.

No caso da China, para os que seguem o calendário de caráter lunissolar, a mudança de ano pode acontecer entre o final de janeiro e começo de fevereiro, quando se espera por muita sorte, felicidade e prosperidade na nova etapa que se inicia.

Já os judeus comemoram o Rosh Hashaná no primeiro dia do mês Tishrei, o primeiro do calendário judaico rabínico, voltando-se para um período de meditação e pensamento nos atos do ano anterior, ocorre no mês de setembro. A época relaciona-se ao Dia de Julgamento (Yom ha-Din) e o Dia de Lembrança (Yom ha-Zikkaron), evocando a piedade de Deus no veredito divino das condutas desenvolvidas pelos judeus.

A virada de ano para islâmicos acontece em datas variadas por seguir um calendário lunar. A contagem dos dias tem seu início correspondente à Hégira, quando Maomé fugiu de Meca para Medina, em 16 de julho de 622 da era cristã, embora diversos autores difiram sobre a exatidão, realocando-a para 20 de setembro do mesmo ano.

Em geral, não há celebrações, mas sim um momento de oração e recolhimento. Por ser uma inovação (bidah), para muitos, qualquer tipo de referência a um “feliz ano novo” é algo proibido (haram), sendo contrário aos preceitos islâmicos.

No campo político, o “Dia Internacional da Paz” foi oficialmente estabelecido no dia 21 de setembro de 1981 pela Organização das Nações Unidas, quando a resolução 36/37 da Assembleia Geral salientou: “(…) a declaração e celebração apropriada de um ano internacional da paz, seria possível contribuir com o fortalecimento desses ideais de paz e aliviar as tensões e causas de conflitos tanto dentro como entre nas nações e povos”.

Entretanto, o primeiro dia do ano também recebeu a chancela da ONU como “Dia da Confraternização Universal” que enfatiza sempre nesta data a necessidade do diálogo e da paz entre os diferentes povos e nações.

Dia D: quando a praia não foi lugar para férias

Em um país tropical como o Brasil, em que o sol brilha em nosso litoral praticamente o ano inteiro, passar as merecidas férias na praia é o sonho de consumo de muitos e não associá-la à diversão, descanso e beleza é uma tarefa quase impossível de se colocar em prática.

Mas, se mergulharmos no contexto do final da Segunda Guerra Mundial, relacionar praia à alegria e lazer é algo bem árduo. Isso porque na parte europeia do grande último conflito em escala global, muitas das gigantescas batalhas foram travadas nos litorais, mares e oceanos da França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Rússia, EUA e Japão, para nos atermos aos principais países dos blocos em conflito.

Dentre os que mais nos chamam a atenção, estão os desembarques da Normandia, região da França, que naquela ocasião estava tomada pelos nazistas, também conhecidos como Operação Overlord e Operação Netuno. Segundo o site oficial do Exército americano, o chamado Dia D, foi realizado pelas tropas aliadas em seis de junho de 1944 e contou com aproximadamente cento e sessenta mil soldados, com o apoio de seis mil navios e treze mil aviões.

Juntaram-se para aquela grande ação militar os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Polônia, Noruega, Austrália, Nova Zelândia, Luxemburgo, Dinamarca, Bélgica, Grécia e República Checa, para combater Alemanha de Adolf Hitler.

Os setores de ataque receberam codinomes de Praia de Omaha, Utah, Juno, Gold, Sword e Pointe du Hoc. A batalha de “Omaha Sangrenta” que ocorreu na praia de Colleville foi uma das mais terríveis, principalmente devido a forte resistência nazista naquele setor com um litoral de 8 km, indo de Sainte-Honorine-des-Pertes a oeste de Vierville-sur-Mer na porção direita do estuário do rio Douve. Especula-se que o número de mortos tenha chegado a 4.200, embora não se tenha dados exatos.

Dia D

O evento em Omaha foi tão significativo que inspirou alguns filmes de sucesso como O Resgate do Soldado Ryan e O Mais Longo dos Dias. Stephen E. Ambrose também escreveu o livro “O Dia D — 6 de Junho de 1944”. Duas outras grandes obras retrataram com maestria a invasão na França: “O mais longo dos dias” de Cornelius Ryan e “Dia D — Amanhecer de Heróis — O Heroico Desembarque das Tropas Aliadas na Normandia” de Nigel Cawthorne.

A banda britânica de heavy metal Iron Maiden também dedicou uma de suas composições do álbum “A Matter of Life and Death” chamada “The Longest Day” para a grande campanha militar realizada.

A operação durou quase três meses até que os Aliados conseguissem adentrar em Paris e retomar a França. Os sites ddaymuseum.co.uk e nationalww2museum.org, especializados no Dia D e na Segunda Guerra Mundial, informam que cerca de 445 mil pessoas entre civis e soldados tenham sido mortas.

E embora naquele contexto as praias francesas não fossem indicadas para alguns dias de lazer, hoje é possível fazer um tour pelas localidades que presenciaram a grande invasão, além de conhecer cemitérios de soldados que morreram em campo de batalha e museus sobre o acontecimento em uma faixa que se estende aproximadamente por 100km.

Genji Monogatari: o primeiro romance e os aspectos do período Heian

Se o clima é de romance, em pleno mês do “Dia dos Namorados” para os brasileiros, nada melhor do que descobrir mais sobre o primeiro romance que a humanidade tem conhecimento. Genji Monogatari, ou o O Conto de Genji, em tradução literal, é considerado o primeiro romance literário do mundo.

Foi escrito no Japão, durante o século XI, em um contexto muito positivo para o desenvolvimento cultural no país e demarcado pelo início da ascensão dos samurais.

A autoria da obra é atribuída a Murasaki Shikibu, uma mulher que integrava a corte da imperatriz. Entretanto, estudos históricos recentes indicam que a continuidade do texto recebeu a contribuição de outros escritores. Inicialmente, os escritores ficaram restritos à aristocracia japonesa, principalmente porque a leitura era uma atividade para poucos.

Com cinquenta e quatro capítulos, o livro não é uma ficção e baseia-se em eventos reais com evolução dos personagens ao longo do tempo, assim como em nossas vidas. A narração conta a história de Hikaru Genji, filho de um imperador japonês, que por fatores políticos não consegue suceder o pai e acaba se apaixonando por Fujitsubo, uma das mulheres do patriarca e muito parecida com a mãe de Genji, já falecida.

Sem o trono e sem o principal amor de sua vida, esses dois obstáculos o seguirão até a morte e estarão intimamente relacionados ao desenrolar de sua existência, principalmente pela incompletude no campo afetivo, que tentará ser preenchido com dezenas de casos amorosos.

Embora seja muito cultuado e tenha se tornado uma tradição na literatura oriental, a composição é bem complexa. Apresenta cerca de quatrocentos personagens e estes não recebem nomes. Isso porque nesse período, costumeiramente, não se fazia referência direta a uma pessoa pelo seu nome. No caso dos homens, os cargos e títulos os identificavam. Já as mulheres recebiam um designativo a partir de suas vestimentas.

A ambiguidade do vocabulário também se faz presente e dificulta a tradução e compreensão atuais principalmente devido aos caracteres estarem em kana, uma escrita utilizada pelas mulheres em detrimento ao kanji, utilizado para os homens. A presença de homófonos — palavras com significados diferentes, mas pronúncia igual — similarmente exige um nível de atenção à conjuntura trabalhada. Ainda assim, nem sempre é possível atingir um entendimento satisfatório.

Além disso, uma técnica narrativa apresentada ao longo da obra também intrinca o entendimento de alguns trechos. Esse procedimento consistia em utilizar partes de conhecidos poemas da época para que os leitores automaticamente os completassem em sua mente. Algo difícil de assimilar para os dias atuais.

Mesmo com as pequenas adversidades relatadas até aqui, ao se aprofundar nas emoções dos personagens, a obra entrelaça elementos psicológicos aos impulsos e motivações da vivência dos indivíduos, retratando de forma magistral o contexto da sociedade japonesa do período Heian.

À vista disso, todo o trabalho de Murasaki Shikibu e de outros coadjutores, nos garante uma grande oportunidade de mergulhar profundamente nos elementos mais obscuros das mentes e da sociedade japonesa, desvelando os véus de um cenário social repleto de certames entre imperadores e nobreza (embora seja demarcado como um tempo de paz) e de enfraquecimento econômico e exploração dos populares, sendo a beleza e a aparência elementos primordiais para aferição do valor e benignidade de um indivíduo.

Excertos sobre a origem do dia internacional da mulher

“8 de março — Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida” publicado pela SOF (Sempreviva Organização Feminista), Alexandra Kollontai, dirigente feminista da revolução socialista escreveu sobre o oito de março, mas, curiosamente, desaparece da história do evento. Diz ela: “O dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história. A revolução de fevereiro acabara de começar”.

O fato também é mencionado por Trotski, dirigente da revolução na obra “História da Revolução Russa”. Sendo assim, as mulheres desencadearam a greve geral, saindo às ruas de Petrogrado em marcha contra a fome, a guerra e o czarismo. Declara o líder: “23 de fevereiro (8 de março), era o dia internacional das mulheres estava programado atos, encontros etc. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.

Para a historiadora Renée Cote, durante as pesquisas em fontes dos movimentos feministas, assim como em jornais da imprensa socialista americana do começo do século XX, não há referências sobre uma greve de trabalhadoras americanas, manifestações de mulheres ou um dia da mulher.

Segundo ela, existiram greves e repressões de trabalhadores e trabalhadoras no final do século XIX até início do XX, mas nenhum desses eventos faz alusão a respeito da morte de mulheres em Nova York, eventualmente originando o dia de luta das mulheres.

Em 3 de maio de 1908, em Chicago, foi comemorado o primeiro Woman’s day, presidido por Lorine S. Brown, documentado pelo jornal mensal The Socialist Woman, no Garrick Theather, com a participação de 1500 mulheres. Este dia foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres, mas defendendo, com destaque, o voto feminino, a autonomia e igualdade dos sexos. Em1909, o Woman’s day tornou-se oficial pelo partido socialista e organizado pelo Comitê Nacional de Mulheres, comemorado em 28 de fevereiro de 1909.

Independente da origem do dia, é preciso pensar no “oito de março” como uma data que nos remete aos séculos de lutas de muitas mulheres em todo mundo. De batalhas diárias e acontecimentos privados e cotidianos que talvez nunca façamos ideia que aconteceram.

Por isso, a importância do desenvolvimento também da chamada história regional, relatando e explanando acontecimentos que não tiveram uma proporção global, mas participam do caminho histórico da humanidade como qualquer outro acontecimento. No entanto, não podemos resumir tanto tempo de suor e lágrimas a um dia do ano. “Dia da mulher” é todo dia e a busca por direitos e dignidade não deve cessar.

. COTE, Renée. La Journée internationale dês femmes ou les vrais dates des mystérieuses origines du 8 de mars jusqu’ici embrouillés, truquées, oubliées: la clef dês énigmes .La vérité historique. Montreal: Les éditions du remue ménage, 1984.
. 8 de março — Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida” publicado pela SOF (Sempreviva Organização Feminista).
. CRUZ, Álvaro. O Direito à diferença. Belo Horizonte: Ed. Del Rey, 2005.
. TROTSKY, Leon. Historia da Revolução Russa. São Paulo: Ed. Sundermann, 2007.

A literatura e o “turning-point” da política brasileira

O conturbado momento político brasileiro ao mesmo tempo em que nos inquieta, principalmente em relação aos rumos que o país tomará, leva-nos também a importantes reflexões sobre a nossa sociedade e o seu modo de pensar.

Corrupção, mandos e desmandos, descasos e abusos nos âmbitos municipais, estaduais e federal, levantam questionamentos e um desejo de mudança por parte da população brasileira. Mas se é preciso mudar, qual direção tomar a partir de agora? A literatura pode nos ajudar nesse longo percurso a ser explorado.

Os romances de cunho realista, aqueles em que os escritores buscam energia de suas experiências ao longo da vida e, de diversas formas, representam as problemáticas das sociedades às quais pertencem, têm a possibilidade de nos tornar mais críticos, tirando-nos de nossa zona de conforto, levando-nos a questionar nossa comunidade repleta de distorções e desigualdades, independente do aparecimento de questões políticas em suas tramas.

A política em nosso território manifesta dia após dia velhos vícios que, em algumas situações, parecem travar o avanço das terras tupiniquins rumo à diminuição da desigualdade social e não apenas no aspecto da renda, mas em relação ao gênero, à raça; ao acesso à terra, à moradia, à cultura; a um melhor sistema educacional e de saúde.
Esses vícios nem sempre são revelados através da imprensa ou de forma oficial pelos “homens de poder”.

Entretanto, a ficção possibilita certa liberdade para revelar aquilo que permanece escondido e não se torna público. Além disso, lida em seus enredos com questões que dominam os debates em nossas sociedades, ou como pano de fundo ou delatadas em suas superfícies, impelindo-nos a ponderar sobre as mazelas sociais e até mesmo desenvolver uma autorreflexão mediante os episódios mais recentes no Brasil.

Segundo os dados do Banco Mundial em 2014, por meio do Coeficiente de Gini, usado para medir a desigualdade de distribuição de renda, mesmo com os significativos avanços nos últimos vinte anos, em uma escala em que obviamente nenhum país consegue atingir a igualdade total, o Brasil está na faixa de 0,5 a 0,55, considerando que a igualdade máxima é equivalente a zero e a desigualdade máxima é equivalente a um.

Logicamente, os índices nem sempre revelam a realidade e temos ainda uma incontável lista de medições como o IDH, IPH, entre tantos outros. Mas é possível deduzir que, independente dos números, por estarmos entre as dez maiores economias do mundo, teríamos condições de melhorar nossa conjuntura em diversos pontos.

Talvez, embora possa parecer uma utopia, para alcançar a transformação tão cobiçada, seja preciso que novas figuras emerjam dentro do atual quadro político. Nomes que pensem coletivamente e não apenas na preservação do poder de sua coligação, para além das fatigantes disputas entre os partidos de oposição e situação já tão conhecidos por nós. Mas o que sempre vemos é mais do mesmo.

Entretanto, o turning-point brasileiro, ou seja, nosso momento decisivo, passa exatamente por nós, cidadãos. Para além de simples protestos, é preciso clamar por uma profunda reforma política, por uma vasta modificação no sistema tributário e também previdenciário, por um aperfeiçoamento do código penal, na tentativa de garantir que os investimentos em educação, saúde, transporte, cultura, etc., cheguem a todos, sem exceção e primeiro aos que mais necessitem.

Especialmente nesse tópico a literatura nos auxilia ao apresentar uma infinidade de realidades e mundos que talvez jamais imaginássemos conhecer senão por ela. Por mais que nem sempre a ficção seja a tradução da “vívida realidade”, conseguem representar e simbolizar, no sentido em que reconstroem esse real, organizando-o e também o interpretando, tomando-lhe determinado sentido, viabilizando um sentimento de empatia, elemento tão pouco explorado nas discussões políticas.

Os acontecimentos políticos atuais propiciam a nós que talvez tenha chegado o momento de pensarmos efetivamente de forma coletiva e de colocar, quem sabe, nossas vontades mais mesquinhas abaixo das aspirações que culminarão em uma comunidade mais desenvolvida sem exceções. É a hora de entender que não estamos divididos em lados, mas somos somente um.

E não é preciso deixar nossa ideologia de lado. Ela é construída ao longo do tempo, pode ser modificada com o passar dos anos, mas reflete quem somos. No entanto, não adianta aspirar por transformação se o único motivo que nos leva a pensar isso é porque o partido A ou B, meu preferido, não está no poder e quero meus objetivos atendidos a qualquer custo e independente de outros.

Substituir nem sempre é transformar, mas se é para modificar que desta vez pensemos em nomes cujas propostas atendam nossa nação como um todo e não somente a grupos específicos. Ou então, iremos continuar reproduzindo um círculo vicioso e não chegaremos a nenhum lugar diferente desse que já nos encontramos.

Assim sendo, ainda que os romances, ficções, possam ter origens variadas quando levamos em consideração as concepções políticas e ideologias de cada escritor, essa “realidade parcialmente percebível” através dos enredos realistas pode despertar o desejo de mudança perante sociedades injustas, gerando indagações sobre as desigualdades sociais, miséria, princípios e valores que costumeiramente prevalecem sem questionamentos no decorrer dos anos.

O Centro Editor e a perseguição ditatorial

Não há dúvidas de que a literatura é um importante instrumento questionador das mazelas de nossas sociedades, assumindo um papel sedicioso, insubmisso e revoltado, principalmente em realidades opressoras e injustas.

Entretanto, em regimes ditatoriais, essa “missão” nem sempre era levada adiante de forma tranquila. Em muitas vezes, mais do que o suor das mãos dos escritores, os literatos pagaram com seu sangue ou até mesmo com suas vidas.

As editoras que se arriscavam a disponibilizar no mercado os chamados livros “subversivos” praticamente assumiam a entrada na lista negra das ditaduras militares e passavam a ser perseguidas pelos inquisidores, respaldados nos mais diversos Malleus Maleficarum que foram produzidos em dezenas de países para alertar como e quando a “caça às bruxas” deveria acontecer.

Não foi diferente com o Centro Editor de América Latina. Fundando por Boris Spivacow em plena ditadura argentina, mais precisamente em 1966 quando Juan Carlos Onganía estava no poder, a editora passou a sofrer com a perseguição governamental desde muito cedo, mas tomou força no final da década de 1960.

No ano de 1969 Onganía sanciona a Lei Nacional 17.401 que reprimia as atividades consideradas comunistas. É neste momento que a CEAL sente mais incisivamente a ação dos órgãos de repressão, principalmente a SIDE, Secretaria de Inteligência do Estado e a DIPBA, Direção de Inteligência da Província de Buenos Aires.

A coleção Siglomundo. “La historia documental del siglo XX” é, então, proibida de circular no país. A justificativa emitida pela DIPBA era de alguns dos livros e textos do compêndio continham propaganda comunista e infringiam a lei estabelecida.

Não bastasse isso, a violência passou do campo literário para os abusos físicos. Em 1974 a Alianza Anticomunista Argentina, grupo paramilitar e terrorista mais conhecido como Triple A, mas que tinha apoio velado do governo, sequestrou e assassinou um funcionário da editora, Daniel Luaces. Segundo Judith Gociol, Spivacow e Oscar Díaz reconheceram o corpo do jovem no necrotério.

Após muita pressão popular, uma eleição foi convocada em 1973 afastando temporariamente os militares do poder. Entretanto em 1976, mais um golpe foi implementado, dessa vez com o nome de Processo de Reorganização Nacional.

A partir daí, a ditadura passou a importunar sistematicamente o Centro Editor, suas publicações e seus escritores.
Na próxima semana, vamos conhecer quais ações a ditadura tomava contra a editora e quão prejudicial elas foram para o desenvolvimento da literatura na Argentina.

A contribuição para o desenvolvimento cultural e a literatura na Argentina pelo Centro Editor de América Latina é reconhecido por todos os estudiosos que se dispuseram a analisar sua história, suas coleções e os diversos livros publicados por ela. A maioria dos acadêmicos que desenvolveram suas pesquisas ponderando sobre as ações produzidas pela editora também convergem quando o assunto é a dificuldade e a perseguição imposta pela ditadura do país ao trabalho de Spivacow e sua equipe.

Com o novo golpe militar em 1976, conhecido por suas ações de assassinatos e violação dos direitos humanos, praticando o que se conhece como “terrorismo de Estado”, a CEAL passou a sofrer mais fortemente com o jugo ditatorial. Era muito comum que as instalações do editorial sofressem com atentados e ameaças que atravessavam do físico para o fiscal, tudo visando dificultar ao máximo a publicação das obras.

As acusações, em geral, eram sempre as mesmas: publicação e venda de material subversivo. Em 1978, a promulgação da resolução 2977 do Ministério da Educação funcionou como uma espécie de Index Librorum Prohibitorum ao divulgar uma extensa lista de livros que estavam proibidos ou não eram recomendados. A coleção “Historia presente”, publicada pela CEAL, foi indexada por violar a resolução vigente.

No mesmo ano, agentes municipais e o Corpo de Cavalaria de Buenos Aires invadiram e trancaram os depósitos editoriais do Centro Editor. Na mesma ocasião, quatorze funcionários foram presos. Spivacow apresentou-se à Justiça e declarou ser o único responsável pelas acusações, solicitando que os trabalhadores fossem soltos.

Segundo o decreto 2322, a coleção referida acima selecionava cronologicamente determinados fatos da história mundial, principalmente da Argentina e América Latina, com o intuito de fazer apologia ao terrorismo, relatando diversas sublevações armadas.

Os materiais mais questionados pelos militares eram os livros que, segundo os próprios, exaltavam o marxismo, revoluções socialistas, movimentos operários, violência anti-imperialismo e organizações subversivas como a Frente Sandinista de Liberación Nacional, Movimiento de Liberación Nacional Cubano, Guerrilla Vietnamita, Revolución Socialista Peruana.

A punição pela impressão e divulgação de tal material foi o estarrecedor episódio da queima de um milhão e meio de exemplares do Centro Editor no ano de 1980, em um terreno baldio na rua Ferré, no Bairro de Sarandí, Buenos Aires, foi tão cruel quanto o assassinato de Luaces, então funcionário da empresa, pela Triple A. Outras queimas foram colocadas em prática em Córdoba e Rosario.

Somente com o final da ditadura em 1983 as perseguições cessaram, mas a ferida aberta pelos militares foi muito profunda. Nos anos que lhe restaram, antes da falência econômica e o consequente fechamento em 1995, a CEAL continuou a lutar bravamente para levar “livros para todos” e publicar “mais livros para mais”.

E nem mesmo a ditadura foi capaz de impedir que esse compromisso estabelecido nos longínquos anos de 1960 por Boris Spivacow fosse realizado.

O Centro Editor e os estudos africanos — Parte II

No texto anterior, fizemos uma breve introdução sobre a importância do Centro Editor de América Latina na produção e divulgação dos textos e trabalhos sobre o continente africano na Argentina, principalmente os de caráter revolucionário e ideologias de esquerda.

Conforme nos indica Luis Beltrán, globalmente falando, o processo de incorporação da África Subsaariana e da América nas produções textuais à nova ordem mundial “euro-hegemônica” se desenvolveu de forma forçada e mediatizadamente, como simples suplementos dos impérios europeus.

No século XVI se produziu uma espécie de triangulação pela qual estavam vinculados o centro imperial e as periferias do comércio escravista (África) e da exploração colonial (América). E assim se seguiu até o século XIX quando as nações americanas se tornam independentes e as africanas passam a ser ocupadas colonialmente até os anos de 1960–1970, processo denominado de Neocolonialismo.

Se os principais tópicos durantes os séculos XVI-XIX centravam-se no tráfico negreiro e a escravidão ibero-americana, no século XIX com a proibição do primeiro e a abolição da segunda, além da reorganização das relações hierarquizadas norte-sul, isolaram-se ambas até o que o Beltrán chama de “tímido reinício” dos contatos com as independências subsaarianas.¹

Com a descolonização a partir do final da Segunda Guerra Mundial, novas perspectivas analíticas começam a se desenvolver e na Argentina, esses trabalhos começam a ganhar espaço através das publicações desenvolvidas pelo CEAL.

Para além dos estudos já relatados no texto anterior. Vela de Ríos continua com seu protagonismo ao publicar em 1972 o texto “Àfrica, de la liberación al presente” na inclopédia “En Transformaciones. Enciclopedia de los grandes fenómenos de nuestro tiempo”.

A coleção alcançou os 110 títulos e abarcou temas como a tortura, os intelectuais, a condição das mulheres e até mesmo análises psicológicas. Participaram dela grandes nomes como María Rosa Neufeld e Néstor García Canclini.

Já a coleção “Capítulo universal. La historia de la literatura mundial”, em seu número 78 abordou a literatura africana de autoria de escritores negros, magistralmente desenvolvido por Estela dos Santos, entre outros.

Já na coleção “Historia del movimiento obrero” duas obras de Marta Cavilliotti foram editas: “África del Norte: liberación nacional y movimiento obrero” e “África Negra: movimiento obrero y liberación nacional del Sahara al Zambezi”.

Na compilação “En Transformaciones del Tercer Mundo”, centrando-se em publicações com temáticas sobre a Asia, África e América Latina, o livro “Asia y África contra el colonialismo”, de Diana Guerrero e Conrado Ceretti, além de “El presente de África”, de Carlos Martínez.

Entre tantas outras coleções desenvolvidas podemos encontrar outros livros de María Elena Vela de Ríos, principalmente “La revolución africana” de 1970. De Miguel Ángel Palermo temos “Trabajos en metal”, “Arte popular africano” e “Arte popular africano. La escultura” que renderam um tomo sobre as artes populares africanas.

En 1971, Vela de Ríos, sem dúvida uma das maiores estudiosas argentina sobre a África, publicou “Lumumba” em que analisa a vida de Patrice Lumumba — um dos maiores expoentes congoleses contra o Neocolonialismo que mais tarde se tornou político. A autora ainda publicou uma biografia sobre Macolm X e em 1973 a obra “La rebelión de los Mau-Mau” e “La batalla de Argel”.

1. Cf. BELTRÁN, Luis. Consideraciones sobre los estudios afroamericanos y africanos en Iberoamérica. In: LECHINI, Gladys (comp.). Los estudios afroamericanos y africanos en América Latina — Herencia, presencia y visiones del otro. Buenos Aires: Consejo Latino Americano de Ciencias Sociales (Clacso), 2008, p.411.