Quando a Ditadura Proibiu o Carnaval dos Hermanos

É praticamente impossível imaginar o Brasil sem Carnaval. Embora nem todos apreciem esta “manifestação cultural”, que surgiu na Grécia antiga, ao menos os feriados e os dias de descanso são bem vindos pela imensa maioria.

No entanto, nossos hermanos argentinos ficaram um longo tempo sem carnaval e passaram novamente a comemorar-lo apenas em 2011. Explicando melhor: durante a ditadura militar argentina ocorrida entre 1976 e 1983, houve o banimento oficial do carnaval a partir de 1977, ao eliminar o feriado de Momo.

A grande preocupação do regime naquele período, quando o ditador e general Jorge Rafael Videla estava à frente do país, era de que os guerrilheiros de esquerda aproveitassem a festa para se esconder atrás das fantasias, facilitando a execução de atentados. Além disso, proibiu manifestações, blocos carnavalescos e reuniões públicas destinadas a esse tipo de festejo.

Colegas ditadores: o chileno Augusto Pinochet (ao fundo) e o argentino Jorge R. Videla (em primeiro plano)

A ditadura proibiu o carnaval na Argentina, mas antes disso a festa já havia sido interrompida. A morte de Evita Perón em 1952 culminou com a interrupção das festividades por três anos, quando o governo peronista decidiu suspender o carnaval de 1953 e dos dois anos seguintes. Entretanto, não se pode despejar toda a culpa pela falta do carnaval argentino sobre os ditadores.

No ano de 1955, quando o golpe militar derrubou o então presidente Perón, restaurou-se em fevereiro de 1956 o feriado, para apagar a lembrança de Evita e poder que ela carregava como “mãe dos pobres e trabalhadores”.

Desde proibição em 1977, os argentinos ficaram oficialmente sem carnaval por 34 anos, até que a presidente Cristina Kirchner decretou em 2011 a reimplantação do feriado de carnaval, embora nos últimos 10 anos as manifestações tenham retornado aos poucos.

Já novamente estruturadas, as festividades na argentina são marcadas pelos blocos carnavalescos nos bairros, denominados “murgas”. Hoje são mais de 200 no país. Mas o grande destaque é o carnaval em Gualeguaychú, muito próximo ao estilo brasileiro de desfiles de escolas de samba, o evento é realizado num “Corsódromo”.

Para quem curte uma opção mais voltada para a cultura argentina, vale a pena ver também o carnaval da região indígena no norte do país, na região da Puna, na fronteira com a Bolívia. Segundo Ariel Palacios, correspondente do jornal O Estadão e que escreveu um especial de carnaval em seu blog para o jornal, “os o centro da festa é o Pujillay”, isto é, o “diabo carnavalesco”, personagem da mitologia local, derivada dos incas.

Sepultado desde o final do carnaval do ano anterior, o diabo é desenterrado, dando início às festas, com músicas indígenas e coloridos desfiles pelos vilarejos da região. Nestas festas os participantes mascam folhas de coca e ingerem bebidas feitas com essa planta.”

Agora, finalmente, os “hermanos” podem comemorar o carnaval!

Heleno de Freitas, mais que uma estrela solitária

No dia 4 de março em Miami, ocorreu a première do filme “Heleno”, estrelado e produzido por Rodrigo Santoro e dirigido por José Henrique Fonseca. A cinebiografia conta a história do grande jogador de futebol Heleno de Freitas, que nasceu em São João Nepomuceno-MG no dia 12 de fevereiro de 1920 e mais tarde veio morar no Rio de Janeiro, após falecimento de seu pai.

Vestiu a camisa de vários clubes como Boca Juniors, Santos e Vasco, mas experimentou grande sucesso com a camisa do Botafogo nos anos de 1940. Pelo alvinegro foram 235 jogos e 209 gols, pela seleção foram 18 jogos e 15 gols e quis o destino que a 2ª Guerra Mundial impedisse o mundo de conhecê-lo, as Copas de 1942 e 1946 não ocorreram.

Sem dúvida uma grande carreira, mas Heleno não chega hoje às telas simplesmente por seu futebol majestoso, seu gênio intempestivo e sua vida na noite carioca chamaram igualmente atenção de torcedores e imprensa da cidade maravilhosa. Sua carreira foi marcada por inúmeros vícios, de drogas como lança-perfume, éter ao álcool e uma tentativa de se auto-eletrocutar em um treinamento do Botafogo.

Heleno ia do céu ao inferno, assim como as frases marcantes de sua vida: “Eu era mais feliz quando tinha raiva” e “Eu sou a própria vontade de vencer”. Para finalizar este triste parágrafo, Heleno teve complicações com sífilis, que veio a comprometer seu sistema nervoso, e, no ano de 1959, em um sanatório de Barbacena-MG onde havia se internado seis anos antes, em 1953, veio a falecer.

Mas, ao contrário do que muitos artigos recentes têm abordado, Heleno não deve apenas ser lembrado pelas palavras do parágrafo acima, mas sim por aquilo que mais gostava de fazer, “jogar bola”.

Não que as falhas, vícios de um ser humano deva ser retirada de sua história, pois também fazem parte da vida, mas o seu futebol era algo extraordinário, assim conta os que o viram. Nem as diversas expulsões que recebeu em campo conseguem apagar isso.

Mais do que um artista da bola ou craque galã, perpassando pela construção de imagens, que se dão ao longo do tempo e que todos nós sabemos que existe, Heleno viveu seus dias com intensidade e como alguém que está sujeito aos prazeres e dificuldades de vida, onde em tudo há um preço a se pagar.

Mais do que servir de exemplo aos atuais jogadores de futebol, a vida de Heleno, agora em filme, deve ser admirada! Talvez a sua história não seja mais triste que a de Garrincha e nem mais alegre que a de Pelé, mas foi uma vida ímpar, que não merece comparação, apenas merece ser “Heleno”.

O caso Araceli, uma mancha que jamais será esquecida

O dia 18 de maio é reconhecido em todo o país por ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o que poucos sabem é o motivo desta data ser lembrada como esse dia de combate.

Foi no ano de 1973, no fatídico 18 de maio, que a menina Aracelli Cabrera Sanches Crespo, com oito anos de idade, foi assassinada violentamente na cidade de Serra, no Espírito Santo. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, todo desfigurado e com claras marcas de abuso sexual nos fundos do hospital infantil Jesus Menino.

Não gostaria de citar nomes de envolvidos e acusados (inclusive é importante frisar que, infelizmente, todos saíram impunes de extrema barbárie), mas para quem se interessar por uma leitura rápida dos acontecimentos, recomendo lerem o “Caso Aracelli” no Wikipedia, pois é um artigo muito elucidativo.

No entanto — não bastasse todo sofrimento que a pobre criança veio sofrer, pois foi mantida em cárcere privado, ter sido drogada, estuprada e desfigurada com ácido, posteriormente, após autópsia realizada na cidade do Rio de Janeiro, peritos constataram que a morte fora causada por intoxicação exógena por barbitúricos, seguida de asfixia mecânica por compressão — todo o desenrolar desse fato resultou em mais assassinatos, impunidade e a certeza de que, famílias importantes e com dinheiro, podem livrar quaisquer criminosos que a componha, somando-se a isso a corrupção toda do sistema judiciário e policial.

Esse crime poderia ficar esquecido, não fosse José Louzeiro, o qual mesmo sem ter conhecido pessoalmente ou sequer lido um livro (até este momento), ganhou minha profunda admiração ao assumir a responsabilidade do seu papel dentro da sociedade, como escritor indignado com tamanha brutalidade.

Autor do livro Aracelli, Meu Amor, que conta em detalhes o desenrolar do caso, inclusive as versões dadas para o crime, relata que esse ato violento, produziu ainda catorze mortes, “queima de arquivo” envolvendo possíveis testemunhas, investigador e outros interessados em contribuir para a solução do crime.

Louzeiro mesmo foi vítima de tentativa de assassinato, enquanto investigava o crime em Vitória para produzir seu o livro. Recomendo, portanto, a leitura desta obra investigativa.

Enfim, gostaria de fazer uma melhor descrição do caso e também do livro, mas isso exigiria muitas linhas, o que não é a intenção deste espaço.

Ao menos, acredito ser importante relembrar esse acontecimento e despertar nos leitores o interesse por encontrar o sentido para as datas que hoje lembramos como dias de lutas ou comemorativas, que antes de nós, outros sofreram ou “viveram a história” para que hoje pudéssemos ter leis, direitos, entra tantas outras coisas, garantidas.

O crime cometido contra Aracelli ficou impune, mas contribuiu e muito para nos alertar a respeito dos direitos infantis, para o desenvolvimento de novas leis, para a aceleração de investigações e processos que envolvam a violação desses direitos, assim como as punições; embora tudo isso seja muito pouco, perto da possibilidade de viver que foi tirada de mais uma criança.

Vasos comunicantes e caixa chinesa

Costumeiramente se diz que “um romancista não vive sem técnicas narrativas”. O que de fato é verdade e bem lógico, afinal, ao colocar suas ideias no papel ele presumivelmente estará aplicando algum tipo de técnica para se fazer entender.

É também uma ação estratégia para enfatizar ou não algum ponto, tema, diálogo, ritmo, entre tantos outros, dentro de uma obra. Por exemplo, um escritor pode empregar algumas técnicas que sugerirão um ritmo veloz à história

>As técnicas narrativas não são usadas apenas por grandes escritores de romance, mas vamos nos ater especificamente a esse tipo de literato. E falar em grandes romancistas atualmente é falar de nomes como o do escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Segundo Jorge Ninapayta, um importante analista das obras do literato, as técnicas utilizadas por Vargas Llosa são de extrema importância, pois constituem um elemento de funcionalidade em suas obras, com a intenção de diminuir a distância entre o leitor e a narração.

E assim, cria principalmente em suas primeiras obras do final dos anos de 1950 e as de 1960, um narrador cuja presença não é percebida, levando o leitor a adentrar na história e ser envolvido nas situações enfrentadas pelos personagens.

Como o título deste texto sugere, algumas das técnicas mais usadas pelo romancista peruano e que ganharam notoriedade em suas primeiras obras são os “vasos comunicantes” e a “caixa chinesa“.

Em seu livro chamado La novela, Vargas Llosa nos indica que os vasos comunicantes são na verdade uma associação dentro de uma unidade narrativa de acontecimentos, situações, temas, personagens, que acontecem em tempos e lugares diferentes. Dessa forma, o escritor associa ou funde esses acontecimentos, personagens, etc.

Agrupando tudo isso em apenas uma realidade narrativa, cada situação revelam suas tensões, suas emoções. Dessa fusão emerge uma nova experiência que vai lançar um elemento perturbador, inquietante que dará uma aparência de vida.

Pode parecer complicado lendo as palavras do escritor, mas não é, na verdade essa técnica consiste em intercalar as histórias, sem contá-las por inteiro, vão se misturando, ritmando a leitura. Não há o regrado “início, meio e fim” em conjunto, começa-se a contar uma situação aqui e sem finalizá-la, já inicia uma nova situação, em outro lugar, outra região e assim por diante, interpondo os fatos contados.

O livro A Casa Verde é uma excelente indicação de leitura para quem deseja conhecer melhor essa técnica.

As cajas chinas têm sua origem nas tão conhecidas caixinhas chinesas. Ao abri-las, sempre encontramos uma caixinha menor, outra menor e assim por diante. Ou então as chamadas matrioskas, bonequinhas russas colocadas uma dentro das outras.

Essa técnica, segundo Vargas Llosa consiste em introduzir intermediários entre o leitor e a narração, e estes vão produzindo transformações, surgindo novas experiências e tensões para que o leitor esteja sempre dentro do feitiço necessário para a plena realização de um romance na mente do leitor.

Ou seja, há uma história dentro da outra, sendo a posterior subordinada à primeira, mantendo uma relação dependente e enriquecedora, pois a totalidade do romance se engrandece com a soma das histórias. Conversa na Catedral é outro bom exemplo para verificar essa técnica.

Mario Vargas Llosa é reconhecidamente um dos gênios do romance atual. As técnicas apresentadas aqui não são as únicas utilizadas pelo escritor, aliás, já em suas obras do início dos anos de 1970 uma série de modificações vão surgindo no modo em como o escritor narra seus romances, por exemplo, uma maior presença de humor e participação do narrador durante a história, ações que não aconteciam anteriormente, principalmente esta última.

Enfim, conhecer as técnicas que um autor usa em seus textos podem aguçar nossa vontade de ler, buscar novas aspirações no mundo literário e, além disso, aumenta a nossa compreensão e ajuda-nos a desvendar as intenções de um escritor.

A revolução por uma amizade: Camus e Sartre

Albert Camus e Jean-Paul Sartre foram grandes amigos. Embora se conhecessem através dos livros, o encontro aconteceu por volta de 1941 quando ambos estavam engajados na Resistência Francesa, um movimento de ações, ideias, debates, durante a Segunda Guerra Mundial que visava combater os países do Eixo e seus apoiadores, voltando-se contra o poder nazista, o racismo e a ditadura na França.

Sartre já havia escrito anos antes um ensaio para elogiar a obra O Estrangeiro de Camus e este, em 1938, havia resenhado para um jornal argelino o livro Náusea, de Sartre. Finalmente se conheceram em uma festa, na pré-estréia de Les Mouches, primeira peça de Sartre. Os laços foram fortalecidos, ao menos nos primeiros anos, pela crença no socialismo, comunismo e no compromisso dos escritores em praticar uma literatura engajada.

No entanto, em 1951, Camus escreveu um ensaio chamado O Homem Revoltado, em que citava e reflexionava sobre as manchas, mazelas e chagas das revoltas e revoluções em diferentes períodos, incluindo a Revolução Russa.

Camus não poupou críticas ao Stalinismo, em relação à falta de garantia de liberdades universais. Para ele, a revolução era uma espécie degradação dos movimentos de revolta por buscar algo que ainda estava por vir e que de fato não existia.

Entretanto, para se sair vitoriosa, a revolução precisaria se tornar totalitária, praticando assim o que conhecemos de “justificação dos meios pelos fins”. Diante disso, na visão do escritor, a URSS havia se transformado em um império e legitimava ações como, por exemplo, o assassinato em massa.

“Para combater o mal, o revoltado, já que se julga inocente, renuncia ao bem e gera novamente o mal“.

O impacto de seu ensaio foi gigantesco entre os intelectuais socialistas. Era preciso dar uma resposta à altura. E assim foi decidido, através da revista Les Temps Moderns, fundada na França por Sartre, Merleau-Ponty, Raymond Aron, Simone de Beauvoir, entre outros.

Sartre, de antemão, recusou-se a escrever tal crítica alegando questões de amizade. A tarefa ficou a cargo de Francis Jeanson que publicou em maio de 1952 o texto Albert Camus ou a alma rebelde, criticando duramente o texto de Camus e sua postura.

A contra-resposta de Camus não tardou a vir e foi tão forte quanto a crítica. Sartre, então, respondeu as insinuações direcionadas a ele, principalmente por ser diretor da revista e saiu também em defesa, de certa forma, da opinião compartilhada por alguns que nela escreviam. Começou ali o fim de algo tão grande, que talvez não tenha acabado.

Isso porque mesmo em meio às desavenças ideológicas, como as críticas de Camus ao engajamento e também à inércia dos intelectuais de esquerda frente às ações “ditatoriais” do socialismo, ambos jamais deixaram de citar um ao outro, de se lerem e respeitarem mutuamente.

Dizia Sartre em sua última entrevista, a Simone de Beauvoir:

“(…) no início; durante um ano ou dois tudo transcorreu bastante bem. Ele era engraçado, extremamente grosseiro, mas muitas vezes muito engraçado (…) o artigo foi publicado, mas em condições especiais: Jeanson concordara em mostrar seu artigo a Camus — foi a única restrição que aceitou — antes que fosse publicado, perguntando-lhe se estava de acordo. Camus ficou furioso e redigiu um artigo onde me chamava: Senhor Diretor — o que era cômico, porque não nos tuteávamos, mas nos falávamos bastante livremente, não havia “senhor” entre nós. Então, fiz um artigo para responder às suas insinuações; Camus falava pouco de Jeanson em seu artigo, atribuía-me todas as ideias de Jeanson, como se tivesse sido eu que houvesse escrito seu artigo; respondi-lhe duramente e aí cessaram nossas relações; conservei simpatia por ele, embora sua política nada tivesse a ver comigo, entre outras coisas, sua atitude durante a guerra da Argélia.”

Muitos estudiosos do “conflito entre amigos” relatam que no fim, as desavenças pareciam evidenciar que, enquanto Camus se mantinha em silêncio frente às ações do Neocolonialismo e suas atrocidades, como as da França para com a Argélia — que Sartre tanto criticava –, este último parecia não ouvir as denúncias das ações repressoras dos soviéticos, como por exemplo, os campos forçados de trabalho.

No fim, o que restou é a sensação de que, mesmo com a ruptura, a relação entre Camus e Sartre continuou a ser muito frutífera, principalmente no ponto de vista da riqueza dos embates intelectuais em que estavam imersos e que muitas vezes, diretamente ou não, se respondiam, contribuindo para a diversidade de opiniões dentro de seus respectivos pensamentos e crenças.

“Ele foi meu último bom amigo”, Sartre.

Nunca li Paolo Guerrero. Ah, do futebol? Pensei que estávamos falando de literatura!

Desde o final do ano passado não é raro ler artigos em jornais e site peruanos, alguns até de grandes intelectuais, discutindo a substituição de Vargas Llosa pelo jogador de futebol Paolo Guerrero, como a maior figura peruana de representação mundial.

Não se trata aqui de abrir um debate e julgar que estão substituindo um literato por um jogador de futebol. Isso envolve questões culturais, apelo de mídia, paixão popular e, até certo ponto, o alcance das obras literárias, se estas conseguem atingir ou não todos os grupos sociais, pelo preço dos livros, interesse pela literatura, se há fomento desta nas escolas, etc.

No entanto, o que pode parecer um assunto sem sentido, nos revela alguns pontos interessantes para uma discussão que pode ser ampliada na busca de uma tentativa de compreensão sobre traços e características sociais.

Quando Vargas Llosa recebeu o prêmio Nobel de literatura em 2010 na Suécia, muitos telões estavam espalhados pela capital, Lima, para acompanhar a cerimônia de entrega. Grandes lojas transmitiam em suas vitrines o evento. Vargas Llosa era de certa forma o orgulho nacional.

De certa forma, porque é evidente que os grupos de esquerda no país não se identificam de maneira alguma com o escritor e dizem, em alto e bom tom, que este não representa o Peru em nenhum aspecto e é um traidor.

Mas essa rusga é antiga, desde quando Vargas Llosa rompeu com a esquerda devido à falta de liberdade propiciada pelo regime cubano, juntamente pelo apoio de Cuba a Rússia na invasão da Tchecoslováquia em 1968 e o caso Padilla, do qual já falamos em outra oportunidade.

Em dezembro de 2012, muitos telões espalhados pela cidade limenha. A tradicional Calle de las Pizzas estava tomada por pessoas que paravam para assistir Paolo Guerrero se tornando campeão mundial de futebol do Torneio Interclubes da FIFA. Foi recebido com gigantesca festa no aeroporto, quando esteve em férias no país. Todos queriam tocar Guerrero.

Antes mesmo do título, em outubro do mesmo ano, quando visitei o Peru, era comum os taxistas de Lima, ao saber minha nacionalidade, dizer que o jogador da moda era Paolo Guerrero. Mas nessa época, ainda era fácil encontrar comentários sobre Vargas Llosa.

Nas feirinhas de artesanato, no hotel, nos centros de lojas, quando me perguntavam o motivo da visita ao Peru e dizia sobre a minha pesquisa, muitos comentavam: “é um autor muito conhecido mundialmente por seus romances“. Embora eu tivesse a impressão de que nem todos tiveram a oportunidade de ler seus livros.

Em uma ocasião recente — Hay Festival, evento literário em Cartagena, Índia — quando questionado pela Gazeta Esportiva.net, o Nobel da Literatura falou sobre o tema:

“Nunca li Pablo Guerrero. Ah, do futebol? Pensei que estávamos falando de literatura… Paolo Guerrero é um grande jogador de futebol, mas vivemos em uma época justamente da civilização do espetáculo. Os grandes esportistas se converteram nos heróis que no passado eram os grandes pensadores, os escritores, os grandes teólogos, os grandes pastores.

Hoje em dia, não, são os futebolistas. Gosto muito de futebol, mas digamos que não podemos colocar na mesma categoria o futebol e a literatura. Cada um tem um espaço, e nesse espaço você pode os admirar muito, mas não os confundir. Essa falta de discriminação é o que resulta na degradação e na perversão da cultura do nosso tempo.”

Vargas Llosa é um fã assumido de futebol. Torcedor do Universitário de Lima e fã do Real Madrid, por sua ligação com a Espanha, admirou grandes jogadores peruanos das décadas de 1950 e 1960. O clube peruanolhe rendeu homenagem, após o Nobel.

No ano de 2011, foi ovacionado por mais de 60 mil torcedores do Universitário em pleno Estádio Nacional de Lima após receber o título de “sócio honorário”. O Real Madrid também já o homenageou. Foi convidado a dar o pontapé inicial da partida entre o time merengue e o Valência.

É algo comum, os norte-americanos idolatram seus campeões. Nós, brasileiros, também idolatramos e o mesmo acontece com todos os outros países. Mas, Vargas Llosa quer alertar também para não nos prendermos em idolatrias, comemorações por campeonatos esportivos e nos esquecermos de todo o resto, principalmente porque o futebol já foi e ainda é muito usado para esconder os problemas sociais, políticos e econômicos.

Quando fala em civilização do espetáculo, título de um dos seus mais recentes livros, o escritor nos atenta que o mundo passou a se preocupar muito mais com o “espetáculo”, com o divertimento, com aquilo que dá audiência, que vende muito; deixando de lado a reflexão, a opinião, a contestação. Responsabiliza a mídia, mas também a nós.

O que, talvez, o escritor queira ressaltar, é a importância da literatura como veículo de alerta para as mazelas da sociedade, corrupção, falta de liberdade, desigualdade social, racismo, etc.

E a importância que lhe deveria ser atribuída, principalmente, aproximá-la de todas as pessoas, independente de suas rendas, raça e formação acadêmica. Não é propriamente uma crítica ou julgamento ao povo peruano que idolatra seus ídolos esportivos, ao invés de idolatrar intelectuais. Longe disso…

“Os que sabem fazer gols e maravilhas no campo de futebol são pessoas a quem se deve admirar, sem nenhuma dúvida, mas não se pode admirá-los da mesma maneira de que admiramos um grande filósofo, um grande pensador, que enriquecem extraordinariamente a cultura do mundo, algo que tem uma grande importância na vida de uma sociedade. Um senhor que sabe meter gols maravilhosamente não é isso.”

O romance político se perdeu?

Alguns romances latino-americanos ganharam notoriedade, principalmente entre os anos de 1940 e fins de 1970, por seu caráter político e abordagem de temas-problemas da sociedade em que viviam, como a corrupção, desigualdade social, racismo, autoritarismo, criminalidade, entre tantos outros.

Escritores realistas buscaram energia de suas experiências negativas e de variadas formas representaram toda a problemática de suas sociedades, partindo das dificuldades vivenciadas e em busca de soluções ou, ao menos, de levar o leitor, o cidadão a refletir um pouco sobre o desajustado mundo ao seu redor. Até mesmo escritores do chamado Realismo Mágico, conseguiram tanger a superfície do político-social em suas obras.

Há quem diga que esse tipo de literatura já morreu há algumas décadas, há quem diga que já não precisamos mais dela e outros que se sentem completamente vazios pela falta dessa abordagem e das reflexões instigadas por ela.

Escritores de nossa região que vivenciaram e participaram do boom latinoamericano, caso de Vargas Llosa, García Márquez, Júlio Cortázar e Carlos Fuentes — estes dois últimos já falecidos — demonstravam em seus textos, narrativas muito atreladas às questões sociais, políticas, morais, cotidianas.

Alguns com um caráter mais urbano, de representação das classes médias, outros um caráter mais afastado dos grandes centros urbanos ou selvático, caracterizando personagens de grupos mais humildes. Mas todos, cada um a sua maneira, nos davam um panorama político-social de sua época através das crenças, condutas, expectativas individuais ou de um grupo, características psicológicas, sociais, étnicas e culturas, além do ambiente político.

Quase todos os escritores desse grupo concordam que a Literatura, os romances, cumpriam uma função muito maior do que apenas servir de entretenimento. Ajudavam a entender as descompensações sociais, estimulavam a compreensão do leitor que algo estava errado, tirando-os da inércia diante de tanto corrupção, pobreza e desigualdade.

Mas o que mudou agora? Nossa sociedade já não precisa mais desse tipo de Literatura? Embora os escritores do boom continuem escrevendo com todo o engajamento que tinham décadas atrás, os novos romancistas se preocupam mais em entreter para ser um sucesso mercadológico, servir mais de autoajuda para os problemas pessoais do que instigar o leitor a reagir às questões sociais, econômicas, políticas que englobam o seu país?

Mas antes de jogar o peso sobre os novos escritores, precisamos refletir também o total desinteresse pelas questões políticas em nosso tempo. Cada vez mais vemos pessoas se afastarem das questões políticas, da participação ativa por dizer que a política hoje é um ambiente muito sujo e fazem questão de não se envolver, de não procurarem entender um pouco de economia, políticas sociais, etc.

Ora, para quê então escrever romances políticos se não haverá leitores para eles? É outro ponto para uma reflexão mais clara.

Há algumas respostas mais claras para as indagações do começo do texto. Sim, ainda há romances políticos, mas a maioria são autores que já faziam isso há muito tempo, com raras exceções como o escritor espanhol Javier Cercas. Se ainda precisamos desse tipo de narrativa, se ainda consumiremos esses romances é um ponto chave para o debate.

Não se fez aqui um julgamento de posições, não há como negar o benefício da leitura, mesmo que seja apenas para o entretenimento, mas são questões levantadas para pensar o futuro da Literatura, do romance e quais passos devemos seguir. Não seria melhor ao invés de excluirmos opções, trabalharmos com todas elas? É uma discussão longa, que renderia diversas teses e dissertações e ainda assim não chegaríamos a uma conclusão, mas refletir é preciso.

¿Para qué sirve la literatura?

O título do texto não está em espanhol por acaso. Essa pergunta irritava constantemente Jorge Luis Borges, um dos maiores escritores latino-americanos, ou melhor, do mundo. A esse questionamento, Borges respondia assim: “Para nada, se você pensar qual é a utilidade do canto de um canário ou o brilho de um pôr do sol!“.

A explicação sobre o ponto de vista de Borges por Mario Vargas Llosa nos ajuda a entender melhor essa resposta. Dizia o peruano que em comparação ao canto dos pássaros ou o espetáculo do sol unindo-se ao horizonte, um poema ou romance não estão ali simplesmente fabricados pela natureza, são uma criação humana.

E justamente por isso é interessante que se indague como e por quem foram criados.

Entender-se-ia assim que nasceram de incertezas na intimidade de uma consciência que os escritores foram moldando através do processo de escrita. Formando uma vida artificial, feita de linguagem e imaginação que coexiste com a realidade, principalmente porque a vida que nós, seres humanos, temos não nos basta, não é capaz de responder a todos nossos desejos e anseios.

Um texto literário só passa a existir quando é adotado por seus leitores e passa a fazer parte da vida social, tornando-se uma experiência compartilhada.

Pois bem, é importante entender então que de nada adiantará escrever um livro, independente do gênero, se ele não for lido e essa experiência não for divida com ninguém. Essa é uma das grandes incógnitas dessa equação que é escrever, seja nos meios acadêmicos ou no mercado editorial.

Se encararmos, assim como muitos escritores encaram a literatura e seus textos, como um alimento do espírito crítico das pessoas e uma ferramenta importante para o questionamento das mais diversas sociedades, se ela não alcançar seus leitores falhará nessa empreitada.

E como alcançar então leitores? Não há uma receita, infelizmente. Mas talvez seja uma combinação de uma boa escrita, apoio dos pares, uma editora que tenha visão e se arrisque, entre tantos outros elementos.

Ser um sucesso de vendas oportuniza alcançar mais pessoas, mas até chegar ao sucesso existem percalços. Exemplos não faltam de literatos com uma escrita perfeita, criatividade, domínio da linguagem e do enredo, que nunca se tornaram importantes no meio comercial ou acadêmico.

Quebrando um pouco o protocolo, desviando um pouco do assunto, confesso que isso tem me desanimado constantemente, porque milhões de pessoas no mundo se dedicam arduamente a escrever seus romances, suas pesquisas; se estressam constantemente com a falta de inspiração diária, com a busca da perfeição que nunca vem e nunca são reconhecidas.

Além disso, a questão dos críticos literários e avaliadores é de tirar o sono, porque sob um determinado ponto de vista sua criação é uma imundice e sob outro, é algo digno. Mas enfim…

Escrever sobre a utilidade da literatura é um assunto vasto, não será aqui o esgotamento do tema. E, além disso, há os pontos sobre qual literatura é boa e qual é ruim, mas não resta duvidas de que ela alimenta a inconformidade e instiga o leitor à busca de mudança, seja uma transformação de sua própria vida, da sociedade, do seu modo de pensar, etc.

Mas se partimos do ponto de vista que a literatura sirva para algo, precisa-se pensar, portanto, as formas para que textos e autores, independente de sua fama, chegue aos leitores. Uma obra humana para humanos!

Se a literatura é por nós, o que será contra?

Quantas vezes já ouvimos que um livro pode mudar o mundo, que a literatura pode modificar o rumo da humanidade e transformar nossas sociedades em algo melhor, renovando-a? Mas quantas vezes o sentimento de que as coisas vão de mal a pior nos toma conta e a literatura parece não fazer diferença nenhuma.

Nem tão ao mar, nem tão a terra. A verdade é: “desde que o mundo é mundo”, antagonismos, como o bem e o mal, convivem. Violência, roubo, exploração, guerra, assassinatos não é uma invenção desse século ou do anterior. Embora, atualmente, a violência tenha aumentado. Porém, outras questões precisam ser pensadas como o aumento gigantesco da população e da marginalização, entre outros.

Existe algum sentido nessa relação explicitada até aqui? Se a literatura pode nos tornar pessoas melhores, questionadoras, mais humanizadas, o que está acontecendo? Ela perdeu o seu poder de transformação?

Colocando os pés no chão e deixando de lado qualquer tipo de previsão apocalíptica, a realidade é que a literatura não controla o mundo e uma vasta gama de outros fatores influenciam nossas sociedades. Estes relacionados às questões culturais, sociais, políticas, econômicas. Todas interligadas, é bem verdade.

A ação imediata da literatura acontece no âmbito individual e isso é extremamente difícil de medir, leva os leitores a pensarem, mas é uma ação no subconsciente. No entanto, na longa duração, somadas as influências individuais, é possível depreender que um livro ou livros de uma teoria tenham incitado um grande grupo de pessoas.

Por exemplo, os livros de Marx até hoje ajudam a questionar nossa sociedade e formar opiniões. Entretanto, as resultantes são diferentes. A cada um é permitido pensar, questionar e agir de alguma forma, mesmo que tenham sido despertados pelo mesmo livro.

Em certa medida, é possível encontrar grupos que ajam conjuntamente inspirados por livros e teorias, mas o fato de existir discussões sobre os temas dessas obras e a institucionalização de um estatuto ou regras revela que, realmente, não são todos que pensam igual.

Aproximações existem. Talvez a influência de uma pessoa leve a coesão, assim como as regras, mas na raiz do pensamento há divergências, assim como na prática desse pensamento, principalmente pelo contexto e nuance culturais diferentes de cada um.

Agora, por que essa longa explicação? Porque, é cada vez mais claro que a literatura não vai agir igualmente em todas as pessoas. Há aqueles que irão ler e não se sentirão incitados a mudar suas atitudes e mudar o mundo; outros que lerão, mas por um motivo ou outro, não se preocuparão com sua sociedade; há os que buscarão apenas o entretenimento com uma boa leitura sem ter a intenção de racionalizar; e, ainda, os “tocados” pelo poder da literatura, agirão de formas diferentes.

Outro ponto importante é a variedade de temas, há livros que incitam a violência (sem querer questionar se há livros e temas errados, há apenas livros) e também se um autor realmente quer que seu livro contribua para alguma coisa ou não. Isso é perfeitamente possível.

E não estou necessariamente falando somente dos livros de auto-ajuda, mas também de livros que abordem temáticas político-sociais em romances, poemas, ensaios, etc.

Por fim, entramos em um outro ponto. Supondo que há muitos livros que possam contribuir para um mundo melhor, de nada vai adiantar se estes livros não forem lidos e seus ideais não forem repassados, mesmo que cada um entenda de uma forma, embora exista uma certa coesão.

Uma pesquisa feita em 2012 — Retratos da Leitura no Brasil — encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope revelou que o número de leitores no país caiu em quatro anos, 9,1%. Em 2007 a população de leitores era de 95,6 milhões, em 2011 o número caiu para 88,2 milhões. Além disso, os leitores leram em média 1,85 livro nos três meses anteriores à pesquisa.

Portanto, a literatura pode e deve mudar o mundo, mas ela não fará isso sozinha. Inclusive, outros fatores podem impossibilitar que ela realmente venha a ser um agente transformador. Mas, uma coisa é certa, se ela consegue agir individualmente, cabe a cada leitor questionar sua sociedade, seu cotidiano e enxergar o que precisa ser mudado ou não, e agir, ainda que nos pequenos gestos, na busca de algo melhor.

Dessa forma, a literatura, enquanto influencia homens, poderá influenciar também outras áreas (economia, política, social, cultural, já que estão interligadas com a literatura) e pessoas de poder, para uma mudança ainda maior.

Albert Camus: um absurdo

Em 2013, comemora-se o centenário de nascimento de um dos mais importantes intelectuais e escritores da história: Albert Camus. Entre tantos artigos e ensaios, suas obras mais conhecidas são O Estrangeiro, A Peste e O Mito de Sísifo, além de sua peça em quatro atos, Calígula.

Como homem inserido em seu tempo, norteando-nos pelos vetores de integração da cultura política, é imprescindível, para a compreensão do que seriam as obras de Camus, conhecer sua vida e os lugares por onde passou.

Primeiramente, esses vetores, segundo Serge Berstein, para ficarmos em uma forma mais simples de explicação, são segmentos como a família, escola, universidade, exército, partidos políticos, que transmitem normas, referenciais, valores que se entrelaçam e constituem a formação do indivíduo ao longo de sua vida.

Camus nasceu na Argélia, mais precisamente em Mondovi. Lá encarou muito de perto problemas como a fome, doenças, guerras e o clima, já conhecido dessas regiões. Na primeira Guerra Mundial, seu pai faleceu em campo de batalha e ao longo do período em que viveu na Argélia conviveu com massacres, preconceitos e pobreza.

Tuberculoso, passou a encarar, como ele mesmo deixava explícito, a presença da morte em seu cotidiano e a mesma doença o impediu de praticar futebol, esporte que ele tanto gostava.

Quando esteve no Brasil, Camus aproveitou para assistir a um jogo de futebol e se espantou pela tamanha paixão dos brasileiros para com o esporte. Leitor de Nietzsche, Camus era anarquista, deixou o Partido Comunista por divergências e negava sempre o rótulo de existencialista.

A maioria dos elementos apresentados acima está presente em seus escritos. Por exemplo, mudou-se da Argélia por problemas com as autoridades nacionais por escrever artigos criticando os tratamentos e ações violentas que eram implementadas contra os árabes em seu país.

Em O Estrangeiro, Camus descreve as vicissitudes de um indivíduo que não consegue expressar seus sentimentos, vivendo a separação entre a razão, o sentimento e a emoção, conduzindo suas reações durante a vida sem uma razão.

Já com o ensaio literário O Mito de Sísifo, com uma análise mais filosófica sobre a condição humana, o escritor admite a futilidade e insignificância dos seres humanos perante o cosmos, e a falsa crença, de certa forma, de que sua ação poderia mudar o mundo.

O pensamento de Camus é vasto e riquíssimo para ser trabalhado apenas em um pequeno texto, mas vale ressaltar por fim, que Camus elaborou uma reflexão sobre a condição humana. Rechaçando a fórmula de um ato de fé em Deus, na história ou em uma razão. Opôs-se ao cristianismo, ao marxismo e ao existencialismo. Não deixou de lutar contra as ideologias e as abstrações que distanciavam o homem do humano.

A sua Filosofia do absurdo, ou, absurdismo foi um de seus legados, dentre tantos outros, que abordava os esforços realizados pelo ser humano para encontrar um significado absoluto dentro do contexto da vida em sociedade. Mas essa busca fracassa, pela inexistência de tal significado, caracterizando-se assim por seu ceticismo em torno dos princípios universais da existência.

Camus defendia que o significado da existência é a criação de um sentido bem particular, principalmente porque a vida é insignificante por si mesma. No entanto, essa falta de um significado maior da vida humana é, na verdade, um motivo de alegria e não de desolação, pois, então, cada indivíduo é livre para moldar sua vida, construindo o seu próprio futuro.

Escritor engajado, mas muito crítico dessa concepção e do alcance e validade (no sentido temporal) das obras engajadas, Camus preocupou-se e contribuiu muito para o pensamento da vida e, de certa forma, para a organização e constituição das sociedades.

Além disso, foi um profundo defensor dos valores como a justiça e a liberdade. Faleceu em 1960 devido a um acidente de carro, em uma viagem que faria de trem, aceitou a carona por insistência dos amigos. Foi, também, grande amigo de Sartre, pelo menos até 1952, mas essa já é outra história, para o próximo artigo.